quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Moacyr Scliar






Moacyr Scliar foi um médico especialista em saúde pública, professor universitário e escritor gaúcho, autor de crônicas, contos, romances, ensaios e literatura infantojuvenil, nascido em 1937 e falecido em 27 de fevereiro de 2011.
Possui duas influências básicas, mas não únicas, em suas obras: o tema do imigrante (por ser filho de imigrantes) e a sua formação em medicina. Teve um lado muito humano em suas obras retratando a realidade da classe média nas cidades brasileiras e também por ter convivido, como médico, com o sofrimento e a morte.
Ao escrever seu primeiro livro, em 1962, baseou-se em suas experiências como estudante: Histórias de Médico em Formação. Mas considerou de fato seu 1o livro a obra "O carnaval dos animais", publicada em 1968.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Para que serve estudar análise sintática?

Não é difícil encontrar pessoas que tenham problemas com a interpretação de textos. Quem nunca? Porém, o que elas desconhecem é que possuem um grande aliado nessa tarefa: A análise sintática.
A Análise sintática pode até parecer um 'bicho de sete cabeças', mas é de imensa ajuda na compreensão de textos. Não te contaram isso? Claro que você não precisa ficar nomeando os termos para poder compreendê-los... A função de cada um você irá aprendendo aos poucos, conforme for praticando.
Ilustração retirada da Internet
Muitas pessoas têm raiva de estudar português, porque é complicado; porque nunca se deram bem em sintaxe; porque nunca entenderam pra que serve ficar estudando verbo transitivo direto, indireto, intransitivo, predicativo, sujeito, entre tantos outros termos (e funções) e, por isso, a falta de conhecimento da estrutura da frase acaba por levar à construção de frases ambíguas, que poderiam ser facilmente resolvidas com uma melhor organização.
Imagem retirada da internet
A análise sintática funciona como um organizador mental para que possamos interpretar melhor as frases. Por exemplo, se você não compreende um trecho de um texto super complicado, tente organizar as frases de acordo com o que estudou, seguindo a ordem: sujeito-verbo-complemento.
Frases invertidas, como no período literário Barroco, podem ser facilmente compreendidas se forem analisadas sintaticamente e organizadas mentalmente:

"Lá do portal de Dite, sempre aberto,

Tinha chegado, com a noite escura,
Morfeu, que com subtis e lentos passos
Atar vem dos mortais os membros lassos.”
(Trecho da obra 'Prosopopeia' de Bento Teixeira)


 Nesse trecho perceba que o sujeito (qual é?) se encontra distante do verbo que se refere a ele (tinha chegado). Para descobri-lo, pergunta-se "Quem tinha chegado?"  "Lá no portal de Dite" dá ideia de lugar; " Sempre aberto" diz respeito ao portal; "Com a noite escura" tem preposição antes ( e sujeito não pode vir depois de preposição). Portanto, "Morfeu (sujeito) tinha chegado com a noite escura..." E  ele ainda " Atar vem",melhor, vem atar... mas atar o quê? A resposta a essa pergunta, que completará o verbo "atar" , será um Objeto Direto, ou seja, precisará estar diretamente ligado ao verbo para completá-lo. Quando você faz a pergunta 'o que ou quem' após o verbo, acaba descobrindo o objeto direto que complementa esse verbo, isto é, um complemento sem preposição, diretamente ligado ao verbo. Portanto, "vem atar os membros lassos dos mortais." Dessa forma, analisando todos os termos sintaticamente, a frase seria:

Lá do portal de Dite, sempre aberto, Morfeu (que com passos lentos e sutis vem atar os membros lassos dos mortais) tinha chegado com a noite escura. 

Poderíamos nos alongar um pouco mais nessa análise, mas acho que já complicamos um bocadinho a cabeça de vocês, não é? Na verdade, é só nesse primeiro momento que parece um pouco complicado, mas quando você se disciplina a fazer sempre essa análise, como identificar cada termo - para você compreender melhor, não para a prova - vai ficando cada vez mais fácil.
A gramática não serve para deixar você em apuros nas provas, mas para te ajudar a compreender melhor aquilo que escreve e aquilo que lê.
Vamos aprofundando devagar todos os termos envolvidos na análise sintática. Acompanhe-nos.
Dúvidas? Podem perguntar!
Um abraço!



terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Por que o porquê dá tanta dúvida?


Quase todo mundo já teve dúvidas de como utilizar o porquê...
- Qual eu uso nessa frase? Como vou saber quando uso um ou outro?
Pois bem... Vamos lá: 
O porquê e suas variáveis são palavras que oferecem dúvidas a muitas pessoas por serem praticamente iguais na hora de escrever, porém suas funções morfológicas são bem diferentes e basta uma análise mais profunda para distinguir seu uso com maior facilidade.
Porque, por exemplo, é uma conjunção coordenativa que indica explicação da oração anterior ou subordinativa indicando causa...
Por que e por quê são a combinação da preposição POR com o pronome interrogativo que acabam tendo ainda a diferença do acento circunflexo no segundo ( e você já vai saber por quê!)...
E porquê é um substantivo...
Tudo bem... Não dá pra escrever frases com essas palavras no modo ‘automático’ (sem prestar muita atenção)!
‘Não me lembro de nada disso das aulas de português!’ Como fazer então pra diferenciar onde usar um ou outro?
Primeiramente você deve saber que os porquês separados (por que e por quê) são usados para perguntas diretas ou indiretas. 
O que é uma pergunta indireta...? É aquela que você quer fazer, mas não quer perguntar diretamente, como por exemplo, 'não sei por que ele não veio hoje’ (você tá doidinha de vontade de perguntar, mas não quis demonstrar que queria saber...), ou ‘ eu vim hoje sem saber por quê’ (você quer saber, mas não teve coragem de perguntar).
Então... voltando aos porquês...
Por que é usado para perguntas diretas (aparecendo no início da frase) e indiretas.
- Por que ele não me esperou pra ir embora?
- Gostaria de saber por que ele não me esperou para ir embora...
Ele ainda pode ser usado para se referir a alguma palavra que vem antes (pronome relativo com preposição por antes dele), podendo, pra ficar mais fácil de saber, ser trocado por ‘pelo qual’ ou ‘pela qual’:
        - Este é o caminho por que sempre passo.
        (Este é o caminho pelo qual sempre passo.)
Por quê é utilizado para perguntas diretas ou indiretas, aparecendo no fim da frase ou sozinho.
        - Ele não me chamou para ir embora por quê?
        - Ele foi embora e não me disse por quê.

Antigamente falávamos que se usava porque para respostas... Não deixa de ser, mas precisamos analisar a frase completamente  e ela não é toda uma resposta: a oração introduzida por essa palavra que é uma explicação ou causa da oração anterior, como em 'ele não veio à aula, porque estava doente'.
Já o porquê (assim mesmo, junto e com acento) é utilizado em casos em que se transforma em substantivo ao receber um determinante (um artigo ou um pronome) à sua frente. Aqui a ideia é de que ele se transforma em algo que tem existência, como um objeto, por exemplo.
Em alguns casos, pode-se trocar o porquê pelas palavras razão ou motivo, mas não é sempre que isso acontece.
 - Esse porquê eu não sei.
- O porquê de ter tirado essa nota é um mistério.

Abaixo, na tirinha, há todos os casos de porquê, utilizados corretamente.

(Tirinha do criada pelo ilustrador  Alexandre Beck e retirada do site: https://tirasarmandinho.tumblr.com/)


Caso você tenha alguma dúvida, entre em contato comigo. 
Estarei à disposição para lhe ajudar a compreender um pouco mais sobre esse assunto.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Revisão de texto

Muitas pessoas acreditam que fazer revisão de texto é "mole", "você só lê rapidinho o que outra pessoa escreveu e ganha uma graninha fácil", "Você é professora de português faz isso num instante".
Já ouvi muito isso...
Não... não é tão fácil quanto parece... 
Algumas pessoas simplesmente não conseguem compreender o trabalho que você tem para tornar aquele texto claro, objetivo, coerente, coeso e dentro da linguagem adequada ao público leitor; já outras vezes é tão agradável você perceber que realmente valorizam o seu trabalho! É assim com artesãos, com dentistas, com médicos e outros profissionais... por que não com o revisor de texto?
Confesso que fica mais fácil com o passar do tempo, com a experiência, as várias e muitas leituras que você precisa fazer durante sua vida profissional... Mesmo assim, não se engane achando que com essa experiência toda vai ficar superfácil corrigir gramática e formatação... Há muitos detalhes a observar: deve-se levar em conta o estilo das pessoas escreverem, se há falta de coerência no que está escrito, se é necessário refazer algumas partes para ficarem mais claras, se há coesão no texto lido, sugerir alterações que sejam coerentes com o que se aborda ali e... ainda tem um quesito de que as pessoas se esquecem: As atualizações de normas de referências e de trabalhos acadêmicos. 
Pois é... Precisamos estar atualizados com o que a ABNT (e outros órgãos também) publica de normalização, para nenhum trabalho sair com prejuízo para as pessoas que o contratam.  A última atualização que houve foi da NBR 6023/2018 que trata da normalização da elaboração de Referências em documentos (Ver https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=408006) . Com certeza também haverá atualização das NBRs que tratam de trabalhos acadêmicos, sumário e outros. 
Ainda tem mais...
Todas as instituições deveriam utilizar totalmente as normas  divulgadas pela ABNT. Acontece que cada uma estabelece regras para algumas 'omissões' dessa associação. Tudo bem. Ossos do ofício... confesso que eu até gosto de ver as diferenças entre cada uma. 
Já ouvi várias pessoas, de muitas áreas profissionais, falando que não cobram por aquele momento em que trabalham (não são só aqueles minutinhos...), mas pelo caminho percorrido para chegar ao produto final, no meu caso um texto bem escrito, revisado, dentro das normas e com um profissional que tenta se atualizar o máximo possível para que seu trabalho fique correto e adequado.
Enfim... 
Amo esse trabalho, mas não pense que é tão fácil quanto aparenta ser...

OBS: Para orçamentos de revisão é só me enviar uma mensagem por aqui ou no e-mail: islenessantos@gmail.com

=)







Abrindo caminhos...



E começamos mais um caminho...
Começamos aqui a expor algumas análises linguísticas, poesias, crônicas, contos e teorias a respeito da língua portuguesa.
Escrever sempre foi uma paixão. De mim pra mim.
Assim como ler é um vício bom...
O que faço aqui são apenas reflexões a respeito do uso da língua e de outras questões que foram sendo estudadas ao longo do tempo. Dentro das regras da gramática, claro, mas considerando todas as possibilidades que a língua nos oferece atualmente: todas as interpretações, todas as variedades linguísticas fascinantes que temos em nosso país, os níveis de linguagem adaptados a cada contexto, as facilidades que o emprego de alguns recursos nos oferece...
Enfim: a utilização apaixonada de todas as ferramentas possíveis de nosso idioma.
E se você tiver alguma dúvida sobre essa língua tão rica, pode perguntar: faremos o possível pra analisar e responder!
Bem-vindo aos caminhos da palavra!

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Ano Novo

Um ano se finda e outro começa.
2018 foi um ano diferente em diferentes aspectos...


Mas um ano novo só se inicia com uma análise do que foi feito, do que não se fez e do que se pretende fazer ainda...
Avaliam-se as vitórias, os fracassos, os compromissos, os relacionamentos e sonhos... e nos perguntamos: Conseguimos? Atingimos o que queríamos? Quanto do que sonhamos conseguimos colocar em prática? Fizemos tudo calmamente, refletidamente ou descuidadamente?
Estabelecer metas é essencial e admiro demais as pessoas que iniciam o ano traçando seus caminhos com segurança (ou pelo menos o que me parece ser segurança). Saber aonde se quer chegar é essencial para efetivamente chegar lá. 
Procuro no google alguma figura que me inspire a traçar minhas metas... e me aparecem os verbos: Planejar, fazer, repetir, persistir... 
Acho que falta um verbo aí: avaliar. Você planeja, faz (ou tenta...) e dá uma parada para analisar o que se fez, avaliar. Porque fazer de qualquer jeito talvez não seja eficiente. Deve-se fazer de uma maneira correta, pela qual você obtenha resultados compatíveis (ou melhores do que) com aqueles que você idealizou.  Depois, caso não se tenha alcançado seu objetivo, tente de novo, persista! 
Nunca desista! Você é capaz!!




No fundo, no fundo... a gente sabe o que quer: ser feliz! 
Mas o que me faz feliz? Eu sei?
Se sei, a partir daí posso traçar meu planejamento: um carro, uma casa, um blog (esse, por exemplo! Ui... tá aí uma meta..), aquela viagem maravilhosa (com certeza!), círculo religioso, amigos, família, filhos, trabalho... o que vem em primeiro lugar? Qual a minha prioridade? E como posso me planejar diariamente para realizar?
Acho que talvez o mais difícil em todo esse processo é o 'deixar pra lá' aquilo que não é prioridade, não importa tanto assim e que não nos faz bem por um motivo ou outro. Daí será um item a menos a se realizar e podemos focar nossa atenção a outras áreas. Deixar o que passou no passado e só 'segurar' com você aquilo que te importe para seguir em frente. 

Sempre em frente! Sempre enfrente! Nada de olhar pra trás.

Cada um tem seus planos, suas metas... 
Buscar um emprego melhor (ou simplesmente um emprego, porque não o tem), passar mais tempo com os filhos, com a família, ler mais, fazer aquele curso maravilhoso que tanto te interessa, fazer mais exercícios, entrar na dieta e ficar nela o tempo necessário, cuidar de um relacionamento com mais paciência e amor, escrever um livro, fazer aquela viagem para reencontrar amigos muito queridos ou um parente bem próximo de quem se sente muita falta... todos são metas e cabe a cada um de nós se esforçar para fazê-las acontecer.
Qual a sua meta para 2019 (e pode ser pros anos seguintes também)?
Essa é uma avaliação minha e, com certeza, estou me propondo hoje a escrever um pouco mais neste blog(uma de minhas metas), trabalhar mais com essa área que me encanta tanto que é a palavra e as muitas possibilidades que ela nos oferece.
Estou voltando... me aguardem!
Feliz ano novo!
Feliz redescoberta de si mesmo!