terça-feira, 21 de junho de 2016

Intertextualidade


           "Sei que às  vezes uso palavras repetidas,
           mas quais são as palavras que nunca são ditas?"
                                            Legião Urbana



Quem nunca repetiu uma frase que tinha ouvido outra pessoa dizer, um trecho de um livro ou poesia que leu, um pedaço de música que ilustrava um determinado momento, ou resolveu "estragar" aquela música fazendo uma letra bem engraçada?
Se você se encaixou em alguma dessas atitudes então você conhece bem como utilizar esse recurso chamado Intertextualidade! 
Ele existe em muitos textos e ocorre toda vez que um autor insere elementos de  textos anteriores no seu próprio. Pode acontecer na literatura, na música, na propaganda... em diversos contextos. 
O problema é que, para reconhecermos  a referência implícita a um texto anterior, precisamos ter tido contato com o texto original e isso depende de nosso conhecimento de mundo, de diversas leituras de textos verbais e não verbais. 





Os exemplos acima dos personagens dos Simpsons e Wood e Stock retratam a conhecida cena da capa do disco 'Abbey Road' dos Beattles, porém não saberíamos se eles constituem(ou não) intertextualidade, se não conhecêssemos a foto original. 



Existem diversos tipos de intertextualidade que se dividem em explícita e implícita. 
A implícita é aquela que você precisa conhecer o texto original pra saber que ele foi 'reescrito' em outro texto.

Por exemplo:
"Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João. (...)"

A música Sampa, de Caetano Veloso, faz referência a alguns lugares e itens que remetem à cidade de São Paulo. A Ipiranga e avenida São João compõem um cruzamento que realmente existe. "A dura poesia concreta de suas esquinas" alude a um momento da literatura nessa cidade, com os poetas concretistas, da semana de arte moderna em 1922... Bom... São alguns exemplos de alusão e referência (tipos de intertextualidade).

E existe a explícita, aquela que identifica o autor e o texto original. Normalmente usado em citações (outro tipo de intertextualidade) diretas e indiretas feitas em trabalhos científicos.
"As citações ou transcrições de documentos bibliográficos servem para fortalecer e apoiar a tese do pesquisador ou para documentar sua interpretação."  [...]. (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 107)

Existem ainda como recursos intertextuais: a paródia, a paráfrase, a epígrafe, a citação, a alusão, o resumo, a resenha... Assuntos que serão mais detalhados ainda nesse blog.
Fique com mais alguns exemplos:





Aqueles que gostam de filmes também poderão encontrar a intertextualidade nos da Marvel: os chamados 'easter egs', em que uma cena de um filme faz referência a um personagem ou a uma cena de um filme anterior, ou a uma cena dos quadrinhos dos próprios personagens... 

Nessa foto, podemos ver claramente a referência aos quadrinhos de uma cena passada no filme "Capitão América: Guerra civil" com os personagens Gavião Arqueiro e Homem Formiga.

E tem gente que gosta tanto que assiste aos filmes várias e várias vezes procurando tais referências!! 
Isso é intertextualidade!! Quem não conhece os personagens ou os filmes que são referenciados, infelizmente, perde boa parte da diversão! 


Acesse também alguns exemplos de intertextualidade  dos contos de fadas:
Releituras de contos de fadas infantis


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Homônimos...

Algumas palavras oferecem dificuldades na escrita por serem muito semelhantes na fala e na escrita. São os homônimos e os parônimos.


Homônimos são vocábulos que possuem escrita ou pronúncia iguais (às vezes, tanto escrita quanto pronúncia), possuem, porém, sentidos diferentes. 

        As meninas são muito inteligentes.

       Nunca pensei que pudesse torcer tanto pra chegar em casa são e salvo!


Podemos encontrar Homônimos homógrafos e homófonos. 

Os Homógrafos (homo = mesmo; igual; grafa = escrita, grafia ) são escritos da mesma maneira, mas com  pronúncia em tons diferentes.

·         Estou cheio de sede.(E fechado)

·         Onde fica a sede do conselho? (E aberto)


Os homófonos ( homo = mesmo, igual; fone = som) pronunciam-se do mesmo modo, mas diferem-se na escrita.

Exemplo:



Existem ainda as palavras parônimas, em que a pronúncia e a escrita são parecidas, semelhantes e, é claro, possuem significado diferente, mas que no dia a dia às vezes confundimos por se parecerem muito uma com a outra.

Exemplo:
·                        Fez uma descrição pormenorizada do que se passou.
·                        A discrição é uma marca garantida dessa empresa.







segunda-feira, 16 de maio de 2016

Escrita e leitura: troca de objetivos



Por que o ato de escrever oferece tantas dificuldades? 
Por que as pessoas às vezes entendem a mensagem de forma tão diferente daquilo que se expressa na escrita?
Objetivos. Cada um tem os seus.
Alguns simplesmente não entendem a mensagem ofertada pelo emissor, por não ser de seu interesse pessoal. Outros, porque apenas alguns pontos desse texto lhes interessam. Outros ainda porque falta vocabulário mais aproximado ao do texto. Ou também por falta de atenção adequada...
Porém, devemos, antes de tudo, atentar para um item importante: A leitura de um texto ou de um livro são como uma conversa entre o escritor e o leitor. O que se entende dela deve ser resultado da experiência de cada um deles.  
O locutor codifica seus pensamentos e os traduz na linguagem.
O interlocutor, ao ouvir ou ler tal mensagem, a decodifica, interpretando-a, conforme as suas experiências de mundo e suas posturas diante do texto. Posturas porque todos lemos de acordo com nossos objetivos. 
Ler para quê? Buscar informações para si mesmo? Como estudo? Como lazer? 
Cada um de nós tem os seus e sabe exatamente o que procura em cada texto, bem como cada locutor tem seus objetivos ao expressar seus pensamentos.
Enfim: o escritor expõe seu conhecimento de mundo, sua cultura, suas opiniões e o leitor os decodifica também utilizando cada um desses parâmetros.
Não é à toa que cada texto pode ter diferentes interpretações... 
Esse diálogo entre o leitor e o escritor poderia ser infinito, pela extensão de todas essas experiências reunidas... Não é bem assim, no entanto. 
O próprio contexto impõe-nos limites... 
Não dá pra entender algo  completamente diverso do que está escrito... É esse o limite desse diálogo.